Essa é para os que tocam (ou, como eu, fingem tocar) ou cantam. Que peças vocês estão estudando?
Eu estou estudando duas peças que li há tempos, mas agora estou conseguindo desenvolver bem. São a Les Cyclopes de Rameau e o primeiro mvto da sonata op. 90 de Beethoven.
O Beethoven tem um estilo bem típico dele,mas é bem mais simples do que uma Appassionata ou uma.Waldstein. O mais trabalhoso é uma passagem no final do desenvolvimento em que mão direita faz umas figuras ascendentes e a esquerda toca uma melodia derivada do primeiro tema. Mas é mais questão de estudar direitinho.
O Rameau que representa um desafio técnico maior, por incrível que pareça. A peça é famosa pela barrage, que é dificílimo de ler à primeira vista, por causa das trocas de mão constantes, a gente tem que basicamente decorar e depois de um tempo muito longo estou conseguindo. Não sei se em um cravo com dois teclados isso fica mais fácil.
Estou estudando a ópera Turandot (a do Puccini), porque vamos (nós da Uniopera) apresentá-la em julho. É mais difícil que La Bohème (a do Puccini, novamente), que cantei em 2019; para o coro, é bem mais longa também, pois ele aparece em todos os atos. Mas é divertido aprendê-la.
Nossa temporada da Turandot de Puccini acabou dia 12 de julho. Pensei, durante as apresentações, que faltava algo fundamental no que escrevi aqui: em ópera, não basta estudar a música e o texto: há uma história, é necessário saber o contexto dela, e, mais difícil, é necessário estudar muito a cena e as marcações. Afinal, trata-se de teatro (nunca fiz ópera em concerto, que deve ser mais fácil nesse aspecto). Além de marcações gerais do naipe de tenores 1, eu tinha uma participação para servir o Pang no início do segundo ato, além de carregar duas vezes a mesa dos ministros nessa cena; no fim da ópera, eu levava um manto vermelho (de casamento) para o Calaf (a movimentação mais difícil, aliás). Como é teatro, é claro que as marcações podiam mudar; no caso desta produção, tudo manteve-se mais ou menos o mesmo depois do segundo dia, com variações para a falta de alguém ou sumiço de algum adereço. A cena, enfim, exigiu tantos ensaios quanto a música.
Eu estava estudando de novo a Nona de Beethoven para um concerto que aconteceu na terça-feira, dia 4/8/2026, mas não consegui escrever aqui antes. O coro canta de cor essa partitura, mas é necessário reestudá-la também à luz das indicações do regente, especialmente quando cantamos sob outra batuta, como foi o caso; para mim, foi a primeira vez com ele, que, no fim do concerto, contou ao público que começaria radioterapia no dia seguinte, o que foi desconcertante: CONCERTO | João Carlos Martins rege ‘Nona sinfonia’ de Beethoven na Sala São Paulo.