Qual a sua dúvida? Aqui alguém responderá

Eu começo. Cantores de ópera conseguem decorar todas as suas partes? Ou ainda podem contar com aquela pessoa que fica numa conchinha atrás - ou ao lado - do Maestro? Acaso tem algo mais digital para essa finalidade?

Não sei se tem alguém assoprando. Mas já vi duas vezes um cantor se perder: ele se enbananou na entrada, o que cantava em seguida ficou no “o que que eu faço agora?”, e o próximo entrou certo porque o regente deu a entrada. Já errar a letra é bem mais comum, eu já vi várias vezes gente cantando um “lalala” ou “aaaa” porque lembra a melodia mas não a letra.

Tem um personagem chamado “ponto” ele fala para os cantores o começo da linha para auxiliar a relembrar a passagem. Tem gravações em que o ponto está próximo do microfone e vaza, tem especificamente uma gravação com del Monaco da Aida em que isso é explícito, você ouve o italiano falando “alta” e o cantor “alta cagion”.

Em muitos teatros o ponto ficava literalmente naquela guaritinha que havia no chão.

Hoje em dia é um pequeno fone de ouvido que fica em praticamente toda apresentação. É o “ponto eletrônico".

PS: A mesmíssima coisa acontece no teatro de prosa.

2 curtidas

Complementando a resposta do Bruno, que está corretíssima: já vi, por duas vezes, o cantor ser ajudado por alguém que “soprou” o texto. Como não havia o ponto (ambos os teatros eram bem pequenos, não projetados para ópera, - não obstante, nos dois casos, as óperas foram encenadas (figurinos, cenários, iluminação, etc., contando com orquestras reduzidas), em uma das situações foi o cravista e na outra o próprio regente. Salvo engano, na primeira o lapso de memória foi em um recitativo e, na segunda, tratava-se de uma ópera contemporânea, com trechos declamados.

E, fazendo outro adendo: no teatro de prosa é comum, modernamente, o ator estar microfonado, coisa que na ópera é a exceção da exceção da exceção.

1 curtida

Vocês se interessam sobre IA na música? Creio que já deve ser usada em alguns casos.

IA pode ser usada de várias maneiras. Por exemplo, a gente pode dar instruções e pedir para a IA desenvolver a peça. Ou então pode pedir para a IA dar sugestões.

E que tal usar a IA na interpretação de uma peça? Desconfio que nas gravações algo deve estar acontecendo.

Não tenho conhecimento direto sobre esse assunto, apenas desconfio, combate no que acontece em outros setores. Gostaria de saber o que vocês pensam.

1 curtida

Bem vindo Durval!

Um colega de trabalho aqui estava avaliando o https://suno.com/ , mas a praia dele é mais música country americana, jazz, etc. Nesta plataforma, você manda uma música de exemplo e diz: siga esta faixa como exemplo (faça bem igual, 70% parecida, não tão igual, com mais liberdade, 20%), e coloque nesta letra (e mande a letra), com uma voz feminina mais grave, quando chegar nesta hora você põe um solo de violoncelo, aqui você cresce, adiciona mais os instrumentos X Y e Z… e a IA gera então a canção pra você. Depois de umas 20 vezes fazendo isso, aperfeiçoando o prompt vamos dizer, sai lá a canção que você quer. A própria plataforma oferece “releasers” (não sei o nome correto), que seriam como empresas que poderiam gerenciar o lançamento da sua canção nas mais diversas plataformas de streaming. E assim você conseguiria monetizar o seu trabalho.

Aí eu ouvi uma canção que esse meu colega criou no final de semana. A voz e acompanhamento, impecáveis… mas quando chegou no solo de violoncelo que é a minha praia, opa! Isso não é violoncelo, é sintetizador de violoncelo. Músico de verdade não faz isso, deveria soar mais assim, vibrato assado, legato cozido… mas para um leigo, tava 10!

Eu, que trabalho com tecnologia, fiquei assustado com o nível que tudo isso está em (relativamente) tão pouco tempo que temos convivendo com IA. Não adianta falar mal, criticar, gerar leis proibindo. É algo que vamos ter de aprender a conviver.

2 curtidas

Pergunta interessante.

Vejo três caminhos possíveis, se chegaremos a ele é outta história.

  1. O primeiro e mais seguro é na remasterização. Esse vem sendo utilizado amplamente, com resultados admiráveis. A lógica é simples, a partir da base histórica o remasterizador treina a maquina para retirar tudo que for ruído.
  2. Aqui já é algo especulativo. Imagina que você pudesse promptear: quero uma gravação de Mestres Cantores com Windgassen como Walther, Maria Callas como Eva e Nikolai Ghiaurov como Hans Sachs, regência de toscanini com a filarmônica de.viena de 1970. Em teoria, possível
  3. Como auxilio à composição ou compor sozinho. Em um caso extremo: faça uma ópera wagneriana com o tema do negrinho do pastoreio.

Esses usos têm limites, alguns intransponíveis com a tecnologia presente. VAmos de 3 para a frente

  1. Em primeiro lugar, qual a coerência que essa obra terá? LLMs, os modelos de linguagem que aprendemos a chamar de IA notoriamente esquecem do que falam no meio da conversa. Esse é um problema estrutural,.chama-se atenção. Se tteinassemos modelos especificos para isso, ainda comporiam a partir de um ponto carente de compreensao. Mesmo.assim. caso consigamos uma atenção boa o bastante, ainda cai no problema classico de intencionalidade, isto é, nãosabe profundamente o que faz, nao quer fazer nada, por isso todaescrita pintura e música por IA émeio sem alma.
  2. A.ideia de peomptear gravações e interessante, ainda muito distante de ser factual, seria ruim? Acho que ainda geraria algo mecânico, apenas mais difícil de perceber. Mas está perto do sonho de Glenn Gould, ele achava que no futuro poderíamos escolher andamentos , dinâmicas e ajustar como equalizamos o som de uma gravação.
  3. Esse é o caso clássico de uso de IA, e o mais simplee, mas mesmo assim existem problemas. O que significa corrigir uma gravação de 1920? Em que medida uma gravação antiga pretendia ser a mesma coisa que uma gravação moderna? É uma questão filosófica e corre o risco de usarmos um padrão (a gravação de 1970) para representar algo que não seguia a mesma ideia. No final, usaríamos Pollini para corrigir Cortot e poderia, no final, parecer mais aquele do que este.

Todos esses três usos na minha opinião apontam para limites grandes no uso da ia.

O caso do Suno é interessante. Eu brinquei com ele uma vez, mandei fazer ym funk carioca clássico dos anos 80 sobre as categorias de Aristóteles, um pop arabe sobre o império bizantino e uma aria verdiana sobre o retorno de allegro. O funk ficou passavel, como uma versao bem produzida daquelas músicas de cursinho. O pop arabe ficou fraco, a aria verdiana ficou… laura pausini. Ou seja, o modelo tem limites claros. Nao deve ter sido treinado com música clássica. A questão a saber é, quando for, como será o resultado?

1 curtida

O cartaz e o texto da ária ficaram muito divertidos e eu imagino a razão

O texto da ária feita pelo Claude tbm

# Il Ritorno di Allegro

### *ossia — I Venti Anni di Silenzio*

*Melodramma in un atto — Aria di bravura per tenore con cori — Scena III*

-–

## Recitativo

*(Allegro entra trafelato nella grande sala. Vede i suoi compagni dopo vent’anni.)*

Eccomi alfine! Il cielo m’ha guidato

su questi passi incerti e dolorosi,

attraverso mari, esili, tempeste —

ma il cuore mio non v’ha mai dimenticati!

Vent’anni! — Vent’anni di silenzio e d’ombra!

Voi mi credevate perduto al mondo,

ed io credevo spenta ogni speranza…

Ma Allegro vive! — Ed è tornato a voi!

-–

## Cantabile

*Andante mosso, con dolore*

O voi, fedeli allegronauti miei,

compagni d’ogni viaggio e d’ogni cielo,

la vostra immagine, nel lungo esilio,

era la stella che vinceva il velo

di mille notti senza luna e luce,

di mille giorni senza nome e voce.

> *Come si piange quando amor non muore!*

> *Come si vive sol d’un ricordo!*

> Allegro era lontano — ma nel cuore

> portava il vostro nome — come un accordo

> di quella gioia che non ha tramonto,

> di quella luce che ritorna — pronto!

-–

## Tempo di mezzo

*Agitato*

*(Gli allegronauti si avanzano riconoscendo Allegro. Fremito nell’orchestra.)*

Ma s’avanzano — gli vedo — son dessi!

Quegli occhi, quella voce, quel sorriso!

Non è un sogno crudel che mi tormenta!

È il vero volto — è il cielo — è il paradiso!

*(con voce spezzata)*

Siete voi… siete proprio voi…

dopo vent’anni… ancora insieme a me…

-–

## Cabaletta

*Allegro brillante, con fuoco*

*(Allegro si lancia in avanti, trasfigurato dalla gioia. L’orchestra esplode.)*

Sì! Torneremo a solcare i cieli insieme,

come un tempo, coraggiosi e folli e lieti!

La sorte avversa i nostri spirti teme —

noi siamo l’eco eterno dei pianeti!

Non più catene, non più muri, non più addii —

il tempo ha preso ciò che non poteva!

I venti anni cadono — come acque ai piedi miei —

e l’anima risorge — e il mondo cede!

*Allegronauti! — Nel vostro nome io giuro:*

*finché avrò fiato, volo — e voi con me!*

**La gioia è tornata — e non fuggirà più!**

-–

## Stretta finale

*Prestissimo — Tutti*

*(Allegro e gli allegronauti insieme, in ensemble trionfale.)*

Viva l’amicizia immortale!

Viva il volo senza fine!

Né il tempo, né l’esilio, né il dolore

spengon la fiamma che è nel nostro cuore!

*Allegro — Allegronauti — un’anima sola!*

*Allegro — Allegronauti — un’unica parola:*

# ♪ G I O I A ! ♪

-–

*Aria di bravura nello stile di Giuseppe Verdi — Per Allegro & I Allegronauti · Venti anni dopo*

**FINE**

3 curtidas

Mas funciona porque é paródia, na paródia nao é a execução que conta, mas a ironia, o absurdo. É quase que o prompt é mais importante do que o conteúdo, a inadequacao entre forma e conteúdo, enfim, isso não se perde pela ia.

2 curtidas

Voto por transformar a ária em nosso hino allegronáutico!

1 curtida

Vocês sabem em uma série dodecafonica o que faz eu ter um ré# e não um mib? Eu vi a série do Il Canto Sospeso do Luigi Nono na Wikipedia do nono e me veio essa dúvida. Em música tonal a regra é que em uma escala não deve haver duas alturas de mesmo nome, mas em dodecafonismo isso não pode acontecer.