Resgatando este que era um dos tópicos mais frequentados do Allegro em sua fase antiga: “O que você está ouvindo?”
A ideia é simples: nome da obra, compositor, intérprete(s) e, se possível, outros dados interessantes como ano da gravação, se foi ao vivo ou em estúdio, e por aí vai.
Começo eu:
Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra, K 364, de Mozart (CD)
Dimitar Dimitrov (Violino)
Dragomir Zahariev (Viola)
Nova Filarmonia Portuguesa
Alvaro Cassuto
Selo: Movieplay
Um dos primeiros CDs que comprei, na década de 1990. A gravação é razoável, resgatei o CD mais pelo saudosismo por conta da reabertura do Allegro.
Numa das minhas últimas viagens eu comprei a integral de sinfonias do Shostakovich com o Mariss Jansons. Como eu só conhecia algumas poucas sinfonias (5, 7, 11), achei que estava na hora de encarar todas. Agora nesse ano estou encarando a poderosa Sinfonia nº4, Dó menor. Não lembro a orquestra, deve ser a BRSO, porque para fazer a integral eles juntaram gravações com várias orquestras diferentes, Viena, Londres, Berlim…
Eu por causa desse Álvaro Cassuto entrei em uma “toca de coelho”, como dizem os ingleses, e fui parar no professor dele, o compositor Fernando Lopes-Graça. Estou ouvindo a gravação do seu divertimento, com a orquestra sinfonica portuguesa e a regência de Bruno Borralhinho.
É interessante, mas me parece muito influenciado por Stravinsky, os primeiros movimentos me lembram Petrushka. Não sei se vou ouvir de novo, hehe. Mas valeu a experiência.
Apenas notar a incrível amplitude que o catalogo da naxos adquiriu nesses ultimos anos. Voces devem estar cientes das gravacoes de música brasileira (Guerra-Peixe, Camargo Guarnieri, Santoro, Lorenzo Fernandez, etc etc), mas isso é algo meio global. Bastante impressionante. As gravacoes têm aquela qualidade profissional que muitas vezes faltava para esse repertório menos global.
Tem no Spotify para quem se interessar pelo século XX tuga.
Ps: O começo que me lembrava ora Petrushka, ora Pulcinella, ora Pedro e o Lobo, pareceu suavemente interessante, mas a orquestração, com muita flauta dobrada com oboé me cansou um pouco. No restante do CD, as Romanças antigas foram o que mais achei interessante, têm uma exploração modal interessante, que dá o ar antigo da peça.
Johannes Brahms - Symphony No. 3 in F Major, Op. 90
Orchestra Haydn di Bolzano e Trento
Gustav Kuhn
Eu gosto bastante dessa gravação. A orquestra surpreende positivamente e o regente tem uma concepção sólida da obra. É uma visão um pouco mais camerística, que funciona muito bem.
Olá, amigos! Estou ouvindo Mozart para variar, rs: música de câmara. Eu dou muita risada quando escuto a última obra desse cd. A música é maravilhosamente ruim, pois o compositor faz uma paródia na composição, tentando imitar um compositor incompetente.
A gravação muito bem arrumada, lançada pelo selo Polskie Nagrania, com a Polish Radio Symphony Orchestra sob a regência de Bohdan Wodiczko. Ao meu ver apresenta uma leitura intensa e muito bem estruturada dessa obra.
Wodiczko conduz a orquestra com firmeza e clareza rítmica, destacando a arquitetura complexa da partitura sem perder a energia primitiva que caracteriza a obra. A Polish Radio Symphony Orchestra responde com grande precisão, especialmente nas passagens rítmicas mais incisivas e nos contrastes abruptos de dinâmica que marcam a peça. É uma das pepitas da época socialista na Polônia.
Um CD que tenho há trezentos e cinquenta anos. Não sei dizer quando comprei.
Há quem critique veementemente essa gravação, que provavelmente foi a primeira do movimento de interpretação historicamente informada, porque as cordas soariam anêmicas demais.
Discordo, não são tão anêmicas assim. É, de fato, uma versão bem mais light quando comparada às interpretações de orquestras convencionais. Mas tem lá o seu lugar.
Obs.: me parece que a integral não tem regente. O que muda de em algumas das sinfonias é o spalla. Ora é Huggett, ora Roy Goodman.
Eu fiquei muitos anos ouvindo apenas as gravações clássicas da Poppea, de Gardiner e Jacobs (com vantagem para esta última), perguntei por gravações mais recentes e essa foi muito bem recomendada.
Estou gostando bastante. Cavina e o La Venexiana adotam uma abordagem “segura” preferindo se ater à literalidade dos manuscritos. Isso significa tocar basicamente um baixo continuo para a linha vocal. Essa é uma escolha parecida com a de Gardiner, mas enquanto a gravação classica é cansativa, esta é dinâmica e apaixonada. Em quarenta anos aprendemos muito sobre interpretação de Monteverdi, hoje temos conhecimento dos aspectos retóricos e da dinâmica dos afetos, que deixa qualquer leitura menos fria e mais apropriada à música.
Me falaram da gravacao mais recente de Christie, mas ainda estou descobrindo esta. Mas quem ter uma ideia mais segura do que é a Poppea, sem interpolações modernas, essa é uma ótima pedida, muito bem tocada e cantada. Não há nenhuma concessão que vemos em algumas soluções: Nero é uma soprano mulher, as criadas são homens fazendo papel feminino, etc.
Uma excelente gravação. Aliás, o ciclo todo é muito bom.
Há várias gravações de altíssimo nível dessa sinfonia (Markevitch, Mravinsky e etc.). Essa do Muti veio nessa caixinha da Brilliant Clássica, em um precinho camarada à época.
Eu me lembro de ter lido sobre ela, há muito tempo, quando gravações de época ainda eram polêmicas. Ouvi agora (estao no spotify, um album integral) e me pareceu uma leitura competente e interessante. Na minha opiniao tempi e uma articulação mais ágil favorecem esse movimento, e não prejudicam. Mas para quem a versão normal das sinfonias de Beethoven é a do Harnoncourt essa gravação é até familiar.
Eu ouvi muito essa gravação, só nãosei se cheguei a ter CD ou não. Porém, desde que comprei a gravação do Marcel Pérès e do Ensemble Organum eu nunca tive ouvidos para outra.
Mas é importsnte lembrar que as escolhas de Pérès são controversas e há quem diga que nao há dados suficientes que garantam o estilo de canto mais… orientalizado… no norte da França na época de Machaut. A versão da Oxford Camerata é mais segura. Mas acho a de Pérès artisticamente superior.
A única ressalva que faço (após ouvir ontem) é que em alguns momentos do último movimento os primeiros violinos parecem, de alguma forma, sem fôlego (!) em algumas frases. Também há um pouquinho de reverberação que pode incomodar alguns ouvintes (não é o meu caso).
A Oxford Camerata adota uma pronúncia afrancesada do latim nessa gravação.
De fato, é um registro redondinho. O coro é afinado, os timbres se harmonizam, a regência é bem sóbria sem ser monótona. Acho que funciona bem como versão de referência e, para os que compraram o CD na época, com um valor acessível.